Mais de 70 entidades que integram a campanha Tributar os Super-Ricos cobram justiça social a partir de reformas no sistema tributário brasileiro. Ou seja, mudanças para reverter a natureza regressiva do sistema brasileiro, onde os pobres pagam mais, em relação à renda, do que os ricos.
A campanha chama a atenção para o fato de que as injustiças vão desde tarifas menores para rendas maiores a até isenções de produtos de luxo. O resultado é a concentração de renda cada vez maior no país, que é um dos mais desiguais do mundo.
Os dados estão no Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira, publicado no final de dezembro pelo Ministério da Fazenda. Nos anos do governo passado, os super-ricos aumentaram sua renda em 31%. Em contrapartida, o número de pessoas na parcela mais pobre aumentou 22,7%.
As entidades envolvidas na campanha ressaltam que essa grande concentração de riqueza ocorreu em parte devido à pandemia de Covid-19, mas principalmente também em decorrência da estagnação da economia antes e após o período pandêmico.
Mais dados
Hoje, apenas 38 milhões, dos 107,9 milhões de brasileiros aptos ao trabalho, ganham mais de R$ 2.379,97 por mês. Destes, cerca de 35% são os que declararam seus patrimônios para o Imposto de Renda 2023.
Ainda dentro deste recorte, 58% deles têm renda baixa, próxima ao valor mínimo para declaração de IR. E eles representam 14% do total de renda do país. Enquanto isso, os 10% mais ricos, concentram 58% da riqueza.

Comentários: