A prisão equivocada do professor universitário Pedro Henrique Borges, em João Pinheiro, vem ganhando repercussão nacional em razão do tamanho do erro cometido pela Justiça. Ele ficou quatro dias no presídio de Paracatu. “Tenho medo, ataque de pânico”, revela o professor em relação ao trauma que sofreu.
Pedro teve seus dados utilizados de forma fraudulenta por um criminoso do estado de Goiás. Até então, o professor havia sofrido apenas com restrições de crédito em razão de dívidas, no valor de R$ 25 mil, contraídas pelo falsário em seu nome.
Professor Pedro Henrique e o falsário
A situação do professor mudou completamente na quinta-feira (21) quando ele foi preso por engano por um mandado de prisão expedido pela Justiça de Goiás. É que o criminoso em questão responde por tráfico naquele estado.
O erro se torna mais grave pelo fato de o falsário já ter sido preso e, mesmo assim, o mandado de prisão equivocado continuou em aberto. O criminoso falsificou uma carteira de identidade usando sua foto, mas com dados pessoais de Pedro.
Nesta quarta-feira (27), o professor, que só foi liberado no último domingo (24), falou sobre o episódio que, segundo ele, marcou sua vida para sempre. Na entrevista, concedida ao site de notícias JP Agora, ele contou os detalhes do caso.
“Eu fui abordado chegando à faculdade para bater meu ponto. Cumprimentei o porteiro, tinham alguns alunos meus na porta. Dois policiais à paisana me abordaram, perguntaram meus dados pessoais, nome, CPF, mostraram uma foto de um documento, e aí depois que eu confirmei, ainda assim eles não se apresentaram como policiais, só falaram para ir com eles para fora, pois eu estava envolvido com tráfico de drogas. Aí eles foram meio que me conduzindo para fora, me puxando para fora, só que de primeiro momento pensei que pudesse ser um sequestro, que estavam me confundindo com alguém e ia fazer alguma coisa comigo, imaginei tudo de ruim. Não reagi, não machuquei ninguém, mas tentei ficar dentro da faculdade para ficar mais protegido ali dentro”, disse Pedro à reportagem.
Foi somente ao ver uma viatura e policiais fardados em frente à universidade que Pedro ficou mais tranquilo e foi cientificado do que estava ocorrendo.
“Passou um filme na minha cabeça nessa hora, pensei que iria morrer. Me confundiram aqui e vou morrer. A polícia fardada chegou, me algemaram, e falaram que eu estava com mandado de prisão. Então para mim o primeiro erro foi a abordagem”, avaliou o professor, que não foi ouvido em nenhum momento durante a ocorrência de sua prisão.

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