Até a última sexta-feira, dia 27, a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, tinha acumulado 752,4 mm de chuva, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O número, 342% maior do que a média climatológica dos últimos 30 anos para o mês (170,3 mm), é consequência do aquecimento global, que, segundo estudo internacional publicado na quinta-feira (26), tornou as chuvas até 20% mais intensas que as de antes, contribuindo diretamente para a morte de pelo menos 72 pessoas.
Para chegar ao percentual, o estudo, publicado pelo ClimaMeter, projeto financiado pela União Europeia e pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, comparou os dados do temporal nas cidades mineiras com padrões meteorológicos semelhantes de dois períodos: entre 1950 e 1987; e de 1988 a 2025.
Segundo a pesquisadora brasileira Suzana Camargo, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, a variabilidade natural sozinha não explica o enorme volume registrado, o que aponta diretamente para a relação com o aumento de 1,3º C na temperatura do planeta.
O diretor de pesquisa em Física Climática no Instituto Pierre Simon Laplace, da França, Davide Faranda, que também é um dos autores do estudo, destacou que o resultado confirma um alerta feito há anos por cientistas.
“Sob o nível atual de aquecimento, Minas Gerais está se tornando cada vez mais propensa a enchentes catastróficas. Nossa análise mostra que padrões meteorológicos que antes produziam chuva moderada agora geram precipitação substancialmente mais intensa, aumentando seu potencial destrutivo. Isso eleva o risco de inundação, particularmente para populações com capacidade limitada de adaptação ou realocação”, alerta o pesquisador.

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