Após sete meses de trabalho, a CPMI do INSS foi encerrada na madrugada deste sábado (28) sem concluir o relatório final. O parecer do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi rejeitado pela maioria do colegiado, com um placar de 19 a 12 votos.
Logo após a apuração do resultado, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu pelo encerramento dos trabalhos da comissão sem a votação de um relatório alternativo, produzido pela base governista.
Com mais de 4 mil páginas, o texto do relator da CPMI pedia o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS; o empresário Maurício Camisotti; o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e parlamentares.
O relator pediu ainda o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Alfredo Gaspar, Lulinha teria recebido repasses do Careca do INSS, por meio de uma amiga, a empresária Roberta Luchsinger, também indiciada.
RELATÓRIO ALTERNATIVO
O relatório alternativo, apresentado pelos governistas, pede o indiciamento de 201 pessoas, incluindo ex-ministros, políticos, servidores do INSS, dirigentes de associações de aposentados e assessores.
Entre os indiciados está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), citado como comandante de suposta organização criminosa que fraudava descontos associativos do INSS.
Conforme a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF), as fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões tiveram um aumento expressivo durante o governo Bolsonaro, potencializadas por facilitações normativas nos acordos de cooperação com as associações investigadas.
O parecer também pede o indiciamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por manter Letícia Caetano dos Reis como sócia e administradora do seu escritório de advocacia.
Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, contador e sócio do Careca do INSS, que é um dos principais investigados no esquema de fraudes contra aposentados e lavagem de dinheiro.
INVESTIGAÇÃO
A CPMI iniciou os trabalhos em agosto de 2025 e passou a investigar desvios de benefícios dos aposentados e pensionistas do INSS, através de descontos requeridos por associações de segurados da Previdência Social.
No decorrer das sessões, a comissão também passou a apurar as supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados a aposentados.
Nas últimas semanas, a CPMI foi acusada de vazar conversas pessoais de Daniel Vorcaro, cujos dados estavam em celulares apreendidos pela PF e repassados à comissão após autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

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