O Supremo Tribunal Federal (STF) foi palco nesta terça-feira (10) de um confronto direto entre Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes durante o interrogatório do ex-presidente na ação penal da trama golpista do seu governo.
Sexto réu a depor na ação que envolve 31 pessoas, Bolsonaro se viu obrigado a pedir desculpas ao ministro por acusações graves de corrupção feitas em 2022. O caso investiga denúncias de conspiração para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições daquele ano.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta Bolsonaro como figura central da trama que culminaria em mais um golpe de estado no país, envolvendo militares de alta patente e autoridades do governo federal.
SEM PROVAS
O momento mais tenso do interrogatório ocorreu quando Moraes confrontou Bolsonaro sobre declarações feitas numa reunião ministerial do seu governo em 7 de julho de 2022. Na ocasião, o então presidente afirmou aos presentes que os ministros do STF Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin estariam recebendo “trinta, cinquenta milhões de dólares” para descumprir a lei.
Questionado pelo relator, Bolsonaro admitiu não ter qualquer indício que sustentasse as graves acusações. “Não tenho indícios, foi um desabafo”, declarou o ex-presidente, numa tentativa de minimizar o impacto de suas palavras. Em seguida, ele pediu desculpas diretamente a Moraes pelas acusações infundadas.
O episódio ilustra o padrão de comportamento de Bolsonaro durante sua presidência, quando frequentemente fazia acusações graves contra ministros do STF sem apresentar quaisquer provas que as sustentasse

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