A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, nessa terça-feira (8), dois homens suspeitos de integrar uma organização criminosa envolvida em um ataque cibernético que desviou mais de R$ 107 milhões de um banco com sede no Pará. O golpe, realizado com a ajuda de um funcionário da própria instituição financeira, envolveu fraudes eletrônicas, falsificação de documentos e movimentações bancárias em diferentes estados.
Parte do dinheiro foi rastreada até Belo Horizonte, onde os suspeitos foram flagrados saindo de uma agência bancária. A dupla estava sendo monitorada pelo setor de inteligência da Polícia Civil e foram abordados quando tentavam movimentar valores em uma agência no Bairro Boa Viagem, na capital mineira.
Segundo os investigadores, o grupo tentava legalizar o dinheiro usando documentos públicos falsificados. O carro usado pela dupla também foi apreendido. O presos são investigados por lavagem de dinheiro, furto mediante fraude cibernética, falsificação de documento público, uso de documento falso e organização criminosa. As penas combinadas podem ultrapassar 10 anos de reclusão. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, incluindo o funcionário do banco e possíveis cúmplices em outras regiões.
INVESTIGAÇÕES
As investigações apontam que o ataque aconteceu entre os dias 30 de junho e 1º de julho. O grupo criminoso usou as credenciais de dois gerentes de uma agência em Santa Inês (MA), para realizar múltiplas transferências de contas de clientes de uma unidade em Belém (PA). O esquema só foi interrompido após um alerta de segurança derrubar o acesso indevido ao sistema.
Mais prisões foram feitas desde então. Na última sexta-feira (4), outro suspeito foi preso no Maranhão por envolvimento direto nas fraudes. Já no Rio de Janeiro, uma operação realizada na quarta-feira (2) desarticulou uma célula paralela do mesmo grupo, especializada em fraudes com aplicativos bancários e uso de dados biométricos falsificados para acessar contas e realizar empréstimos.
OUTRO CASO
Até agora, R$ 63 milhões dos valores desviados já foram recuperados. Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava documentos públicos falsificados para tentar dar aparência legal às movimentações financeiras e à origem dos recursos desviados. As investigações apontam ainda para a existência de outros envolvidos, inclusive em outros estados.
Esse caso não tem relação com o golpe que causou um prejuízo milionário contra o sistema que liga as transações via Pix e o meio financeiro de pagamentos nacional que afetou, principalmente, o banco digital BMP.
Revelado na semana passada, ataque ao software da empresa C&M foi possível após facilitação por parte de um funcionário que teria recebido R$ 15 mil para acessar o sistema e desviar mais de R$ 600 milhões, conforme a Polícia Civil de São Paulo.

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