Pela primeira vez em mais de meio século, os Estados Unidos deixaram de ser classificados como uma “democracia liberal” e passaram a constar apenas como democracia eleitoral, segundo o Relatório da Democracia 2026 do Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia.
O estudo, divulgado no início de março, aponta ainda uma queda abrupta na qualidade democrática norte-americana, colocando o país atrás do Brasil no ranking global. Enquanto os EUA despencaram para a 51ª posição entre 179 países, o Brasil subiu para 28º lugar, aparecendo à frente pela primeira vez.
De acordo com o V-Dem, o índice de democracia liberal (LDI) nos Estados Unidos caiu de 0,75 em 2024 para 0,57 em 2025, atingindo patamares semelhantes aos do início dos anos 1960, durante o movimento pelos direitos civis. Já o Índice de Democracia Eleitoral (EDI) caiu de 0,84 para 0,74, o maior declínio anual da história do país.
O relatório destaca que, apesar das eleições continuarem regulares, há falhas significativas em direitos e instituições, incluindo:
– Expansão rápida do poder executivo, sem precedentes na história moderna;
– Ataques à imprensa e à liberdade de expressão;
– Enfraquecimento de freios e contrapesos institucionais;
– Polarização política extrema, que deslegitima processos democráticos.
Com isso, as eleições de meio de mandato, previstas para novembro deste ano, serão um teste decisivo para avaliar se os indicadores eleitorais continuarão a piorar.
RECUPERAÇÃO
Por outro lado, o estudo indica que o Brasil está em franca recuperação democrática, destacando o país como um exemplo de reversão de autocratização recente.
De acordo com a pesquisa, o processo de “deterioração democrática brasileira” começou após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e se aprofundou durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentou concentrar poder e enfraquecer instituições.

Comentários: