O agronegócio brasileiro deve ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador agrícola do planeta. Segundo reportagem do Financial Times, um dos jornais de finanças mais respeitados do mundo, a diferença entre os dois países nunca foi tão pequena e, se o ritmo atual continuar, o Brasil pode assumir o posto ainda em 2026.
Conforme o Departamento de Agricultura americano e o Ministério da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas em 2025, apenas US$ 2 bilhões a mais do que o Brasil. Em 2021, essa diferença foi de US$ 56 bilhões.
Esse avanço é resultado de décadas de investimentos em pesquisa, tecnologia, crédito rural e abertura de novos mercados. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) teve papel fundamental ao desenvolver tecnologias que transformaram a produção agrícola nacional.
Nos governos progressistas, o Plano Safra alcançou volumes recordes de financiamento, chegando a mais de R$ 516 bilhões destinados ao agronegócio no ciclo 2025/2026.
Apesar de grande parte dos empresários do setor apoiar candidatos de direita, as exportações e o crédito público continuaram crescendo na atual gestão, fortalecendo a competitividade do Brasil no mercado internacional.
PERTURBAÇÕES COMERCIAIS
Para os analistas ouvidos pela reportagem do Financial Times, que esteve nos Estados de Iowa, nos EUA, e em Mato Grosso, no Brasil, a principal razão por trás desta mudança está nas "perturbações comerciais desencadeadas pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump".
Isso porque a China, um dos maiores compradores do mundo, reduziu significativamente suas importações dos americanos depois que o republicano impôs tarifas ao país em 2018, ainda durante seu primeiro mandato na Casa Branca.
Com a retaliação de Pequim às tarifas de Washington em 2018, porém, esse crescimento se acelerou. Em 2025, o Brasil exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto os EUA não chegaram à casa das dezenas de milhões de toneladas.
Os dados são do UN Comtrade (United Nations Commodity Trade Statistics Database), considerado o maior e mais abrangente departamento público de estatísticas de comércio internacional.

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